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  Artigos e Entrevistas | publicado dia 13/07/2020 às 20:13
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BRASIL – Em vários países atingidos pela pandemia causada pelo novo coronavírus, os profissionais da saúde têm sido constantemente alvo de reconhecimento e gratidão pela população por causa dos serviços prestados. Expostos diretamente aos riscos, esses trabalhadores deixam suas casas para cumprirem a função para qual foram preparados: médicos (as), enfermeiros (as), técnicos (as), socorristas e trabalhadores da limpeza vivenciam o medo de terem que enfrentar uma doença pouco conhecida, serem contaminados e contaminarem familiares e os que com eles convivem.

Esses profissionais, entretanto, não são atingidos da mesma forma. No Brasil, um país com imensa desigualdade social, as mais atingidas são as técnicas de enfermagem, profissão que possui maioria de mulheres, pobres, pardas e negras. São essas profissionais que também têm sido vítimas fatais em um índice alarmante.

Segundo o Conselho Federal de Enfermagem já são mais de 10 mil enfermeiros, técnicos e auxiliares de Enfermagem afastados pela doença no Brasil, com 88 óbitos associados à doença —  conforme a última atualização sobre esses trabalhadores que no país que já perdeu mais profissionais da enfermagem do que a Itália e Espanha, juntas.

O problema é que os trabalhadores da saúde têm atuado em completa insegurança. Falta treinamento adequado, Equipamentos de Proteção Individual (EPI) e estabilidade nos seus empregos, já que parte desses trabalhadores são contratados e não se afasta mesmo quando são casos suspeitos, pois não têm como manter-se em casa recebendo seus salários. 

Diante desse cenário tão turbulento e precário em sua estrutura de trabalho nos hospitais e com o risco iminente de se contaminar a saúde mental desses profissionais também é abalada. Nas cidades onde o Sistema Único de Saúde saturou, médicos precisam decidir qual vida importa mais, qual paciente terá prioridade à ser encaminhado para um leito de UTI. Essa situação de escolher quem morre e quem vive impõe a esses profissionais uma pressão emocional insustentável, todos os dias que, junto com uma jornada de trabalho exaustiva, monta-se o cenário para o caos nos hospitais públicos do país.

No Maranhão, sexto estado em número de infectados no país, há denúncias de várias cidades sobre o descaso com os profissionais de saúde que estão na linha de frente contra o coronavírus. Falta ou se raciona EPI’s, quando há o equipamento o profissional precisa ficar 6 horas sem beber, comer ou ir ao banheiro, pois não há suficientes para reposição. EPI’s não adequados ou, quando adequados, distribuídos somente a alguns profissionais deixando outros mais expostos ao contágio. Entre os profissionais da saúde com maior poder aquisitivo, estes compram por conta própria seus EPI’s. Outro problema enfrentado por esses trabalhadores é que o estado não garante locais para permanência/estadia desses profissionais para que não voltem para suas casas, aumentando o medo e o risco de infectarem companheiros e familiares. 

Nessa realidade as Unidades de Pronto Atendimento (UPA’s) são os locais mais críticos. Seguem com lotação máxima, aglomeração de pacientes e profissionais sintomáticos que continuam trabalhando. Em vídeo gravado que circula nas redes sociais profissionais de saúde da UPA, em São Luís, denunciam, desesperadamente, o descompromisso, abandono e o desrespeito do estado para com eles, como também, o alto índice de infectados, falecidos e sintomáticos entre seus pares e, para piorar essa realidade há uma imensa dificuldade da realização de testes entre os profissionais da saúde. 

Enquanto o número de infectados e mortos aumenta exponencialmente, o governo federal segue com sua política genocida, negando os efeitos da pandemia, incentivando a população a não aderir ao isolamento social, atacando direitos dos trabalhadores, dificultando o acesso da população ao auxílio emergencial. Isso faz com que o país continue em crescimento acelerado da curva de infecção e mortes por coronavírus e sobrecarregando ainda mais os trabalhadores da saúde em uma condição que há tempos já é precarizada.

É necessário a organização e luta por um outro modo de governo, por um governo popular dos trabalhadores que forneça saúde para a população. Saúde pública, gratuita e de qualidade. Reiteramos a necessidade da revogação da Emenda Constitucional 95 que congelou os gastos públicos, inclusive o da saúde por 20 anos.  Pela elaboração de Planos de Carreira e Salários para todos os trabalhadores da saúde, investimentos no setor de saúde pública ao invés de planos de saúde e setor privado para que seja um trabalho digno e que consiga suprir as necessidades da população. 

Por um SUS forte e para todos!

 

Edição: Emanuelle Rodrigues
 
 
Aconteceu no dia 10 de setembro às 09 horas, o ato dos Enfermeiros do Estado, onde reenvidicamos do Governo que receba os Enfermeiros para negociar nossas pautas. Pautas essas que estão atrasadas, estamos há 15 anos sem reajuste salarial, entre diversas demandas. Fomos recebidos pelo Secretário executivo da Casa Cívil, exigimos a antecipação da mesa de negociação e teremos resultado desta agenda no dia 22 de setembro. Aguardamos a resposta, conscientes de que precisamos continuar na luta pelo reconhecimento da nossa categoria, fortalecendo a luta por nossos direitos. Fotos: Emanuele Rodrigues
 
Mais de 15 mil profissionais de Saúde infectados com o novo coronavírus.
 
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