Na manhã desta quinta, 7 de agosto, o SEEPE foi surpreendido com o vídeo de um vereador em uma “fiscalização” a uma USF em Recife, onde ele disse desconhecer que enfermeiro tivesse consultório, já que acreditava consultório ser “para médico”.
Em dúvida com a informação colhida na fiscalização, o vereador põe em dúvida na verdade sua qualidade de fiscalizador de um serviço que ele nem sabe como se organiza. A enfermagem é um dos pilares fundamentais da atenção básica e sua atuação é amparada na sua lei de exercício profissional e nas diversas diretrizes do Sistema Único de Saúde, que regulamenta não só a consulta de enfermagem (desconhecida pelo legislador em questão), como prescrição de enfermagem e demais procedimentos capacitados para desempenho junto à população.
Vale lembrar que a muitos dos indicadores que determinam repasses para Atenção Básica estão vinculados aos enfermeiros que atuam em todas as políticas, realizando acolhimento, consultas de enfermagem, regulações, tele atendimentos, encaminhamentos, exames como citológico e testes rápidos para IST’s, inserções de DIU e implanon, educação em saúde, prescrições, entre outras atividades que acima de tudo integra toda a equipe e gestores facilitando acesso a população à uma assistência a saúde digna.
Precisamos acabar com a visão médico-centrada da saúde e isso deve começar pelos ditos representantes do povo! Não é possível defender o fortalecimento do SUS com visões tão limitadas da atuação da equipe multiprofissional no serviço público.
Para que as fiscalizações nas unidades de saúde sejam de fato efetivas, é necessário o conhecimento mínimo de seu funcionamento, evitando cenas desnecessárias e impróprias como as que aconteceram em semelhante “fiscalização” na Barros Lima, também em Recife, quando os profissionais foram assediados por desconhecimento do fluxo de atendimento, de termos estatutários como “licença nojo”, além do conhecimento sobre as atribuições de cada profissional da equipe.
O SEEPE reforça seu compromisso com a categoria e com o SUS e nos mantemos alertas para evitar que novas exposições de profissionais sejam feitas. E nos colocamos a disposição para ampliar o conhecimento daqueles que questionam de maneira irresponsável as atribuições dos enfermeiros e enfermeiras.